A felicidade é um direito?

"Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande."

ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista.

Brinquedos: quando a quantidade dá lugar à qualidade



Por Juliana Falcão (MBPress)
http://vilamulher.terra.com.br/brinquedos-quando-a-quantidade-da-lugar-a-qualidade-8-1-55-664.html



Quarto de criança sem brinquedo é estranho, não é? Mas diante de um mundo tão capitalista e consumista, como identificar o exagero? É possível definir uma quantidade certa de objetos para que os filhos possam realmente brincar e criar um vínculo saudável?
Não há fórmula mágica. Mas quem precisa perceber que passou dos limites sãos os pais, uma vez que a criança é a parte mais prejudicada diante do excesso de brinquedos. Ela passa a ficar ansiosa por não saber como aproveitar todos eles.

"O filho recebe um brinquedo e já fica esperando o próximo. Com, isso, o elo e o zelo que muitos pais tinham com seus brinquedos passam a ser características inexistentes nas crianças de hoje", comenta a psicóloga e psicoterapeuta familiar Ana Pozza.
A ansiedade da criança não se deve apenas à dificuldade em administrar a imensa quantidade de brinquedos, mas em retribuir aos pais na mesma moeda. "Isso acontece muitas vezes quando há um combinado, ou seja, a criança só recebe um brinquedo se alcançar tal objetivo. Em determinados momentos essa medida é importante para impor limites e dar noção de responsabilidade, mas o presente não precisa ser sempre uma moeda de troca", alerta. "Em alguns casos ela pode ficar até depressiva, caso não alcance o objetivo pré-estabelecido".

A especialista afirma que essa quantidade desmedida de brinquedos tem a ver com os tempos atuais. Os pais não têm mais tempo de brincar com os filhos e tentam diminuir a culpa com bens materiais. Só que com isso, deixam buracos na educação da criança, tornando-a consumista e birrenta.

"Antes de dar tudo para a criança, o ideal é conversar com elas sobre a importância do brinquedo que tanto querem. Estabeleça uma data especial - aniversário, Natal ou Dia da Criança - para dar o presente. Elas vão desejar tanto o mimo, que quando o receberem terão um apego diferenciado, vão cuidar melhor dele", sugere. Outra forma de reduzir o lado consumista da criança é estimular a doação. Ou seja, se ela quiser um brinquedo novo terá que se desfazer de um usado.

Dra. Ana Pozza lembra também que o excesso não está somente no número de brinquedos, mas também na quantidade de estímulos provocados por ele. "Eles tiram o ‘faz de conta’ e não aguçam a criatividade dos pequeninos, fazendo com que o interesse se perca mais facilmente. Uma boneca que anda e fala, por exemplo, impede que a menina ‘dê vida ao objeto’, invente seus movimentos, fale por ela, recrie por meio da boneca o que ela o mundo em que vive", defende. "Até um quarto bagunçado limita o desenvolvimento da criança. Ela não acha o que quer, larga um brinquedo, pega outro e não cria relação com eles".

Você não é perfeito

"Por que desejamos (e raramente conseguimos) ter um corpo irretocável, um casamento de novela e um emprego de sonhos? A resposta pode estar na forma como nos relacionamos com o mundo à nossa volta"

Confira esta matéria da Revista Vida Simples:

Reflexão para uma vida equilibrada

"Conheço pessoas que se gabam de nunca ter tirado férias. Chegam muito cedo ao trabalho e são as últimas a deixar a empresa. Será que elas têm uma vida familiar equilibrada? Será que têm capacidade mental para decidir com tranquilidade e equilíbrio? Será que sabem da importância do relaxamento e da meditação para a criatividade e a inovação? Será que estão dando o melhor de sua inteligência e de sua vontade para a construção do futuro da empresa, a satisfação dos clientes, o bem-estar e o desenvolvimento da sociedade em que vivem? Não serão apenas ativas e pouco produtivas?

Temos que nos reeducar para que voltemos a pensar, cismar e questionar se o que estamos fazendo é realmente o que deveríamos estar fazendo. Precisamos desenvolver uma enorme disciplina para parar, nem que seja por alguns instantes. Parar para pensar. Parar para colocar as coisas nos devidos lugares em nossa mente atribulada por tanta informação.

É preciso ter disciplina para que a inteligência comande nossos atos, e não o tempo, as emoções ou os apelos da mídia.

Será que tudo isso que você está fazendo, com tanta urgência e desespero, é o que você deveria estar fazendo?"

Luiz Marins, antropólogo - na Revista Voe, abril 2011

Filhos Tímidos: Como agir?




Por Juliana Falcão (MBPress)
http://vilamulher.terra.com.br/filhos-timidos-como-agir-8-1-55-602.html

Esconder-se atrás dos pais, não se relacionar com outras crianças e não falar nem o próprio nome para pessoas que não conhece são algumas características da timidez. E é justamente na fase de socialização que este problema se torna mais evidente.

Estudos apontam que a timidez pode sim ser algo genético, mas é importante lembrar que não é uma doença e dá para ser tratada com ajuda de psicólogos.

Uma criança tímida provavelmente não vai se tornar o adulto mais popular e extrovertido da turma, mas isso não significa que seu filho passará a vida toda retraído.
Para a psicóloga e psicoterapeuta familiar, Ana Pozza, em certos casos, a timidez se faz presente desde o berço. "Devemos analisar como a criança reage aos estímulos de um adulto e qual o comportamento dela ao receber um brinquedo. Se ela ficar apática, pode ser que seja tímida", explica.

Na fase de socialização, outros sinais aparecem. "Ela passa a não querer ir à escola, não quer sair de perto da mãe, não quer conversar com a professora nem mesmo ir ao banheiro e fica sempre quieta, num canto, sem se relacionar com os amiguinhos", conta Dra. Ana. "Há ainda crianças que se relacionam muito bem com pessoas da idade e que na presença de um adulto se calam ou vice-versa. Este comportamento também pode estar relacionado à timidez".

Quando os pais também sofrem desse desconforto ou são superprotetores contribuem para que a criança apresente sintomas de timidez, pois a cercam de cuidados excessivos e, consequentemente, de medos. "Ao mesmo tempo, pais exigentes, que forçam o filho a fazer o que não gosta, também ajudam a desencadear o problema", acrescenta a psicóloga.

A timidez pode aumentar ou diminuir, tudo depende da assistência dada à criança. Forçá-la a ter amigos ou a frequentar eventos sociais, ou ainda, fazer comparações e exigir que ela seja igual ao coleguinha, por exemplo, são atos que contribuem para o aumento do problema. Cada criança tem seu tempo e é essencial saber respeitar seus limites. "As crianças tímidas e introspectivas costumam ser muito observadoras, o que não deixa de ser uma qualidade", aponta Dra. Ana.
E afirma: "Um erro grave que os pais cometem com frequência é falar pela criança, terminar as frases por ela. Ou contar na frente de outras pessoas que ela não se comunica porque é tímida. Atitudes como essas desestimulam os pequenos e pode causar insegurança nelas."

Por outro lado, os pais passam a ajudar a criança quando criam um diálogo com ela, a estimula a conversar sobre qualquer assunto. Outra ação positiva citada pela psicoterapeuta é ajudar o filho a montar um círculo de amizades, levando-o para conhecer outras crianças do prédio ou do bairro onde mora. "Dentro das escolas, uma medida interessante é escolher a criança tímida para ajudar a professora. Dessa forma, você incentiva a socialização dela".

Dependendo da idade da criança, uma forma de melhorar a comunicação é motivá-la a fazer as mesmas coisas que os amiguinhos fazem. Um exemplo dessa ação vem de outros países. Lá fora é mania trocar Silly Bandz, umas pulseiras de borracha de diferentes formatos. Essa prática é comum entre os pequenos de seis e sete anos, fase em que eles passam mais tempo interagindo com os colegas e são influenciadas pela propaganda.

Apesar de ser um modismo, Dra. Ana apoia a ideia. "Dessa forma a criança tem a sensação de pertencimento, de ter igual aos outros. Quando ela não participa de atividades como essa, se isola e se sente diferente, aumentando os sintomas de timidez e a abertura para fazer amigos".

Para tratar da timidez, a especialista recorre à terapia familiar. Isso porque, segundo ela, não adianta tentar mudar o comportamento do filho se os pais também não se propuserem a fazer o mesmo. "Conversamos com todos, criamos condições para que a criança se desenvolva. E afima: "Muitas vezes, a timidez é consequência do meio em que a criança vive", diz Dra. Ana.

Como preservar os filhos na hora da separação


Por Juliana Falcão (MBPress)

Aceitar o fim de uma relação não é tarefa fácil para ninguém. Antes das coisas chegarem a este nível, houve uma série de ações e doações por parte do casal que subiu ao altar com intuito de compartilhar uma vida feliz e cheia de promessas.

E quando há crianças envolvidas nessa quebra de laços, é preciso ter cuidado para não feri-las, uma vez que elas normalmente não têm uma relação direta com a situação.

Por mais que o amor e a compreensão entre o casal cheguem ao fim, é preciso ter a consciência de que a saúde desse filhoprecisa ser preservada. "A relação entre esses pais pode ter acabado, mas em nome da criança e do amor a ela, é preciso manter o diálogo equilibrado", alerta a terapeuta infantil Daniella Faria.

A especialista garante que este momento não fácil para nenhuma das partes, mas a criança é a mais afetada. Por não ter o discernimento necessário para encarar a situação sem traumas, ela sofre tanto ou até mais do que os pais. "A intensidade desse sofrimento vai depender da postura dos pais, de como eles vão se relacionar com o filho a partir dessa nova condição de vida".

Em casos de separação amigável, a criança é considerada a peça mais importante e todos passam com leveza por essa fase. Há casos de crianças que até acham legal essa nova condição de ter duas casas, dois quartos. Mas quando esse desenlace é conturbado, o filho pode sofrer com asíndrome da alienação parental, que é quando um genitor passa a criticar o outro, deixando o filho no meio de um fogo cruzado. "Nesse caso ocorre uma inversão de papéis. A criança entra em estado de alerta, deixando de viver sua vida para cuidar do pai ou da mãe. Ela presta atenção em situações que não são da alçada dela", explica Daniella.

Ana Pozza, psicóloga e psicoterapeuta familiar, revela que há casos de filhos que passam por este problema de alienação parental e sentem um vazio de identidade, por terem crescido com uma imagem do pai ou da mãe que não era verdadeira. "Numa separação, o prejuízo maior é afastar um convívio de um dos pais. É preciso que o casal tenha maturidade para lidar com a raiva e colocar o filho em primeiro lugar".

Para minimizar os traumas, o correto é que os pais pensem no bem-estar da criança. É preciso trilhar um caminho de amor por esse filho. Ela vai se formar, casar, ter filhos, e pai e mãe precisam estar equilibrados para compartilharem esses momentos tão importantes. "Os problemas conjugais precisam ser tratados de maneira paralela, mas o bem-estar da criança precisa ser compartilhado. Os papéis de pai e mãe não podem deixar de existir", aconselha a terapeuta infantil.

Ana acredita que, durante o processo de separação, se faz necessário o apoio psicoterapêutico. "Esta é uma experiência extremamente penosa. A semelhante à perda de um ente querido. E nessa hora os pais se deprimem e a criança fica sem cuidados", explica.

A especialista diz ainda que a idade da criança não influencia no grau de sofrimento. Segundo ela, tudo depende do momento em que a família está vivendo. "Para um filho que foi abusado sexualmente ou que presencia constantes brigas dentro de casa, a separação é um alívio. Porém, aquele que tem contato frequente com os pais, vai sentir muito mais o fim do casamento."

Não é possível traçar o futuro de uma criança que vivencia a separação dos pais. Porém um processo de desenlace mal resolvido pode incutir no filho a crença de que casamento não dá certo e que nunca se deve brigar. "Ao mesmo tempo, a história dela, a partir desse fato, pode contribuir para o amadurecimento das escolhas afetivas, tornando-a mais cautelosa na escolha de um parceiro", comenta Ana.

Mudança de comportamento

Em muitos casos, a criança que vivencia a separação dos pais torna-se tensa, triste, insegura,agressiva e pratica a inversão de papéis, uma vez que ela ingressa no mundo adulto quando ela deveria ser cuidada por ele. "Às vezes, o filho pode regredir no comportamento. Volta a fazer xixi na cama, reduz seu desempenho escolar e se apega demais à mãe", explica Ana Pozza.

Entretanto, independe dos sintomas, é muito errado tratar essas mudanças de comportamento como um problema. "Isso nada mais é do que um pedido de ajuda, pois é a forma que a criança encontra para expressar o que está sentindo. E quem identifica essas atitudes deve saber encará-las como um caminho que pode desvendar as necessidades desse filho", afirma Daniella.

Independente dos motivos que levaram à separação, o grande desafio desses genitores é manter o foco na saúde integral dos filhos. "Antes de iniciar uma briga, pense na criança. Poupe-a dessa situação. Ela não pode viver essa desconstrução dos pais", ressalta a terapeuta. "O processo de dissolução do casamento pode gerar brigas durante um longo período de tempo. E se o casal tiver a consciência de que o filho é a parte mais valiosa dessa relação, os desentendimentos tendem a se encurtar".

Ana Pozza lembra ainda que a criança não pode ser excluída da situação. Se os pais traçam o estereótipo da família feliz na frente dela e de repente anunciam uma separação alegando brigas e incompatibilidades, vão dar a ela a impressão de que viveu uma farsa. Isso porque, mesmo que os pais não se abram para o filho, ele sente que existe algo errado. Enquanto o adulto é capaz de nomear sentimentos e coisas, a criança usa a percepção sensorial para entender o mundo à sua volta.

"Obviamente há assuntos que só pertencem ao casal, mas a criança precisa estar ciente das mudanças. Abra o jogo, diga a ela, numa linguagem adequada, que vocês estão passando por dificuldades, mas que estão tentando resolvê-las", sugere a psicóloga. "O errado é incluí-la no processo com o objetivo de fazer com que ela resolva, faça a mediação do conflito. É o caso da mulher que tem receio de lidar com o marido a sós e decide desabafar na frente da criança. Isso é muito prejudicial."

Para Daniella, todo tipo de agressão ou briga dentro de um ambiente familiar gera um grande estrago nos adultos e nas crianças. Mas na hora da separação, a terapeuta ratifica que é necessário colocar os filhos em primeiro plano. "Ela precisa ter a garantia de que a separação é entre pai e mãe e não entre pais e filhos. Os genitores podem mudar seus valores por conta da separação, mas não deixar de cuidar dos filhos que é a parte mais importante. Se os casais começarem a pensar dessa forma, o diálogo entre pai e mãe vai se manter, uma vez que o amor pela criança passará a ser a base dessa relação".

A criança e o universo lúdico




Cabe esclarecer que muitas vezes o significado dos jogos que a criança pratica apresenta um caráter defensivo e projetivo da sua realidade interior. É proposta pela psicanalista Melaine Klein uma similitude entre a atividade lúdica infantil e o sonho do adulto, e as verbalizações da criança ao brincar e a associação livre. Ou seja, a criança se apossa do universo lúdico para alívio de tensão/ satisfação de seus desejos e para domínio da realidade traumática através de elaborações projetivas. Na brincadeira se exteriorizam os jogos internos, sendo essencialmente um meio de prazer pela manipulação da angústia, ou seja, uma descarga pulsional. Dessa forma, a brincadeira é passível de interpretação e, assim, colocada como uma técnica a ser utilizada para alargar os limites da possibilidade de verbalização da criança e acompanhar a precariedade do uso da palavra e a tendência à ação, características do comportamento infantil. Assim, o brincar é uma alternativa de comunicação dos conflitos e desejos da criança. É uma linguagem e, portanto, algo a ser “escutado“.

Amor e Ódio

"Muitos sentimentos são só o reverso do amor e da dor. O ódio é somente a outra face do amor. Ele surge quando alguém é ferido em seu amor. Mas se disser: "Eu te amei muito e isso me machuca demais", então não existe mais espaço para o ódio. Com o ódio, a pessoa perde exatamente aquilo que realmente deseja."

Bert Hellinger, em "Constelações Familiares"

Raiva

"A raiva primária surge quando sou atacado. Essa raiva me dá forças para eu me defender e por isso ela é boa. Ela me torna capaz de agir. No entanto, a raiva mais intensa que surge é fruto de fantasias. Fica-se com raiva mas não age. (...)

A raiva também tem a ver com um direito que não reivindico. Se não reivindico o direito que tenho, fico com raiva. Essa raiva também surge como substituto para a própria ação.

(...)Os sentimentos decisivos são, no fundo, a dor e o amor. Em vez de encarar a dor, eu talvez fique com raiva. Assim, por exemplo, alguém lembra-se durante a terapia que apanhava quando pequeno e sente então raiva do agressor. Se sente raiva, não sente a dor. Entretanto, se ele disser: "isso realmente me magoou", passa para um outro nível, mais introspectivo e muito mais forte. Isso penetra mais fundo do que dizer com raiva: "você vai me pagar!"

Bert Hellinger, em "Constelações Familiares"

Inveja

"Inveja significa querer ter algo sem querer pagar seu preço.

Em vez de trabalhar com a inveja, prefiro conduzir o cliente a um ponto em que ele mesmo possa decidir se está disposto a pagar o preço total pelas vantagens e pelo sucesso."

Bert Hellinger

Vínculos Familiares

"A família dá vida ao indivíduo. Dela provém todas as possibilidades e limitações. (...) Não existe nada mais forte do que a família.
(...)
"... Quem combate o próprio pai se tornará forçosamente igual a ele. E quem combate a mãe se tornará forçamente igual a ela. (...) Muitos distúrbios e doenças se originam do conflito que resulta dessa recusa em reconhecer os vínculos familiares.
(...)
"O amor sempre existe, só preciso procurá-lo. Quando uma pessoa está zangada com os pais, eu encontro esse ponto, ajudo a criança no cliente a concluir o movimento de entrega em direção à mãe ou ao pai daquela época. Então a luta cessa e todos respiram aliviados, inclusive os pais. Eles podem voltar a se dedicar ao filho e o filho a eles."

Bert Hellinger, em "Constelações Familiares - O Reconhecimento das ordens do amor

Terapia Relacional Sistêmica

"A consciência do próprio funcionamento é o primeiro e imprescindível passo para a mudança. Qualquer mudança pessoal ou relacional pressupõe que o sujeito esteja enxergando seu próprio funcionamento: o que faz, como faz, para que faz. Esse é o foco da Terapia Relacional Sistêmica."

Solange Rosset

A verdade seja dita

"Uma verdade fundamental que não é dita dá origem a neuroses posteriores. (...) Chega um momento em que os pais percebem que a relação que têm com o filho é profundamente modificada quando lhe explicam precisamente o que lhe diz respeito, a ele, naquilo que contam da vida deles e não lhe contaram até então: verdadeira revolução, tanto para os pais como para todo ciclo familiar. Daí em diante, a criança "ouve" o que lhe diz respeito. A partir do momento que puseram em palavras o sofrimento da mãe, suas decepções no nascimento, as dificuldades familiares, a criança já não precisa manifestar mal-estares. Acabaram-se xaropes para dormir, recusas alimentares. Faltava-lhe acima de tudo a humanização proporcionada pelas palavras verdadeiras de luto ou de sofrimento de que ela participou desde o início de sua história de sujeito desejante."

Françoise Dolto
"Violência sem Palavras", em "As Estapas Decisivas da Infância"

Cabe aqui salientar que um processo psicoterapeutico familiar otimiza este processo, não com um, mas alguns encontros que oportunizam esclarecimentos e intimidade, promovendo o crescimento saudável, a autonomia da criança e a harmonização familiar . Não se trata de despejar em cima da criança suas angústias, mas poder nomear o que acontece, situação pela qual a criança naturalmente vivencia no cotidiano familiar, mas muitas vezes não se fala a respeito, permanecendo todo o conteúdo não dito sob a forma de angústia, fobia ou ansiedade a todos os membros da família, em particular a criança que ainda não possui recursos próprios para poder elaborar a vivência. Complementando com F. Dolto: "Dar nomes, aí está. A criança necessita que tudo seja dito."

Família, Amor, Trabalho


"Quando os filhos forem criados igualmente por homens e mulheres, as meninas e os meninos verão as mulheres trabalhando lado a lado com os homens, fora de casa, não como uma privação, mas como uma extensão do carinho e da cooperação entre os sexos. A tensão heterosexual no mercado de trabalho, nascida em grande parte das antigas tradições de desigualdade e dominação sexual, será substituída por amizades heterossexuais não-sexualizadas, relacionamentos de igualdade encorajando a intimidade, que apóiam, em vez de ameaçar, a vida familiar. Psicológica e filosoficamente, os jovens pais de hoje estão estressados e gostariam de mudar a maneira de viver a vida. O terapeuta familiar tem uma oportunidade de ajudá-los a perceber que os papéis determinados pelo gênero são parte do estresse entre eles, que as escolhas de ser diferente podem dar certo, que brigar por sua família no trabalho acabará fazendo uma diferença na política das corporações e do governo.

O resultado ótimo deste estágio do ciclo familiar não é simplesmente o de ligar os adultos, como pais, aos filhos. É o de intensificar o relacionamento íntimo do casamento - ajudar homens e mulheres a realizar seu potencial criador na idade adulta jovem e média, e a assumir o seu lugar na família de maneira plena, possivelmente ampliando a vida. É o de unir os sexos e as gerações no presente e no futuro, e o de colocar o amor numa posição igual à do trabalho."

Jack O. Bradt

Referência:
BRADT, J. O. Cap 11: Tornando-se Pais: Famílias com Filhos Pequenos. p. 222. In: CARTER & McgOLDRICK. As Mudanças no Ciclo de Vida Familiar. Porto Alegre: Artmed, 1995